Curso de Tupi Antigo (Barbosa 1956)
22 Dec 2009 03:40
Mais de meio século após sua publicação, o Curso de Tupi Antigo (1956) do Pe. A. Lemos Barbosa continua sendo o melhor compêndio para o aprendizado desta língua. Extremamente didático, rico em exemplos e referências bibliográficas, baseado em cuidadosa pesquisa das fontes originais, o Curso é item essencial na estante de qualquer interessado na língua dos habitantes da costa brasileira no começo da colonização.
A importância do livro não se limita a sua utilidade para o aprendizado do Tupinambá. O prefácio é um texto particularmente importante para a historiografia dos estudos de línguas indígenas, oferecendo uma crítica — ainda atual — a vários mitos que, professados por lingüistas de prestígio (como, na época, Antenor Nascentes), tendem a se perpetuar (como a suposta "artificialidade" da língua documentada pelos jesuítas).
Há muito esgotado, o Curso acaba de ser incluído no acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju (uma excelente contribuição de Alexandro Ramos, de Curitiba). Considerando-se sua finalidade didática, a digitalização foi feita com cuidado especial para facilitar a consulta ao livro: o texto está disponível em pdf pesquisável ("searchable"), com cada um dos seus mais de 60 capítulos acessível através de "bookmarks".
Nova categoria gramatical tupi (Barbosa 1947)
19 Dec 2009 15:56
Apesar de há muito extinto, o Tupinambá (ou Tupí Antigo, a "língua mais usada na costa do Brasil" nos primeiros séculos da colonização) é uma das línguas indígenas mais bem documentadas do país. Descrita em gramáticas, registrada em textos catequéticos, vocabulários e crônicas coloniais, erigida a status de "língua indígena por excelência" e estudada continuamente desde o século XVI, a impressão que se tem é que a língua não teria, descritivamente falando, nada de novo a revelar.
No entanto, o Pe. Lemos Barbosa, grande especialista em Tupí Antigo, demonstra exatamente o contrário em um artigo que acaba de ser incluído na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. No artigo "Nova categoria gramatical tupi: a visibilidade e a invisibilidade nos demonstrativos" (1947), Lemos Barbosa descreve a relevância da noção de visibilidade para o sistema demonstrativo do Tupinambá, algo que teria, aparentemente, passado despercebido mesmo a autores como Anchieta e Figueira.
Nossas imagens no Flickr
19 Dec 2009 13:34
Nossa página no Flickr não apenas reúne imagens do nosso próprio acervo, mas também ajuda a promover recursos disponíveis através de instituições como as Bibliotecas Nacionais do Rio e de Portugal e a Biblioteca da Universidade de Coimbra. As imagens (mapas, frontispícios de livros raros, fotos de autores) contribuem para aproximar os leitores a um rico patrimônio bibliográfico e aos autores que, ao longo dos séculos, vêm contribuindo para o conhecimento das línguas indígenas sul-americanas — e dos povos que as falam.
Conheça a Coleção Geraldo Lapenda
19 Dec 2009 13:23
O filólogo pernambucano Geraldo Lapenda (1925-2004) foi um pioneiro no estudo científico das línguas indígenas do nordeste brasileiro, sendo o autor de Estrutura da língua Iatê (1968, 2005), ainda hoje obra de referência obrigatória sobre esta língua. A Coleção Geraldo Lapenda da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju inclui artigos raros e de difícil acesso, digitalizados a partir de itens da biblioteca pessoal do autor.
Mapa etnolingüístico de Martius (1867)
09 Dec 2009 15:40
Beiträge zur Ethnographie und Sprachenkunde Amerikas zumal Brasiliens (1867), obra clássica de Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), é fonte essencial para o conhecimento de muitas línguas e tribos hoje extintas. Além de conter os únicos registros conhecidos de línguas como o Jeikó (Jê) e o Masakará (Kamakã), a obra apresenta uma das primeiras tentativas de sistematização da diversidade lingüística e cultural do continente (particularmente do Brasil).
Embora ambos os volumes deste trabalho já estejam disponíveis há um certo tempo, através do projeto Google Books, o mapa que acompanha o primeiro volume não havia sido devidamente digitalizado. A Biblioteca Digital Curt Nimuendaju supre agora esta lacuna, tornando o mapa disponível em formatos JPG e PDF. Os arquivos (armazenados no Internet Archive) podem ser acessados aqui. Como se trata de arquivos pesados, sugerimos os seguintes passos para o download: dê um clique direito (right click) e selecione "salvar alvo como" (save target as). Ambos os volumes do livro podem ser também ser acessados no site da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju.
Bibliografia das línguas Macro-Jê (D'Angelis, Cunha & Rodrigues 2002)
07 Jun 2009 02:41
Organizada por Wilmar D'Angelis, Carla Maria Cunha e Aryon Rodrigues, a Bibliografia das Línguas Macro-Jê (Unicamp, 2002) reúne, como resultado de amplo esforço colaborativo, centenas de referências bibliográficas sobre línguas e culturas Macro-Jê (tanto em lingüística, como em etnografia, arqueologia e história). Publicada originalmente em caráter experimental, com uma tiragem de 250 exemplares, a Bibliografia se torna agora mais amplamente acessível, através de sua inclusão na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju.
Disponível em PDF pesquisável ("searchable"), a Bibliografia serve assim de base para a continuação do esforço colaborativo no sentido de sistematizar e catalogar os recursos bibliográficos existentes sobre os povos Macro-Jê — desta vez, em meio eletrônico. Aos organizadores do volume, na pessoa de Wilmar D'Angelis, nossos agradecimentos pela iniciativa original e pelo apoio para sua disponibilização online.
Catecismo Brasilico da Doutrina Christaã (Araújo 1898)
09 Apr 2009 03:44
O Catecismo Brasilico da Doutrina Christaã, do Pe. Antônio de Araújo, é o item mais recente a ser adicionado ao acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, em reprodução fac-similar (1898), por Júlio Platzmann, da segunda edição de 1686. Assim, as principais fontes originais publicadas sobre o Tupí Antigo estão agora disponíveis online para o pesquisador interessado: além do Catecismo, contamos com a Arte de Grammatica da Lingva Mais Vsada na Costa do Brasil, do Pe. José de Anchieta (1595), e com a Arte de Gramatica da Lingua Brasilica, do Pe. Luís Figueira (1878 [1687]).
Coleção Lucy Seki
27 Mar 2009 21:14
Especialista nas línguas Kamaiurá (família Tupí-Guaraní) e Krenák (tronco Macro-Jê), com as quais vem trabalhando nas últimas quatro décadas, Lucy Seki é uma das mais ativas pesquisadoras na lingüística indígena brasileira. Dedicando-se a projetos de educação indígena e documentação lingüística, ela vem contribuindo também para o conhecimento de várias outras línguas indígenas, tanto em seus próprios estudos, como através da orientação de dezenas de teses e dissertações. Amostras desta ampla produção estão agora disponíveis na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, que lança hoje (dia em que se comemora o aniversário da autora) a Coleção Lucy Seki.
A Coleção inclui inicialmente quatro artigos, representando não apenas seus estudos sobre o Krenák (Problemas no estudo em uma língua em extinção, 1984; Apontamentos para a bibliografia da língua Botocudo/Borum, 1990) e o Kamaiurá (O Kamaiurá: língua de estrutura ativa, 1976), mas também uma área — a lingüística histórico-comparativa — em que sua contribuição é menos conhecida. Este é o caso do artigo Evidências de relações genéticas na família Jê (1989), em que a autora determina a posição do Tapayúna dentro da família Jê e aponta inconsistências na reconstrução do Proto-Jê feita por Davis (1966).
Nasalidade (Rodrigues 2003), Krenák (Silva 1987), Tupinambá (Lapenda 1953)
05 Mar 2009 18:55
Visitantes mais assíduos do nosso website devem ter percebido que três novos artigos foram recentemente acrescentados ao acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. Em 'Etimologia da palavra Tupã' (1953), Geraldo Lapenda revisa várias hipóteses sobre a origem deste vocábulo Tupinambá (que, através das línguas gerais, viria a adquirir ampla distribuição em línguas indígenas do continente). Os outros dois artigos tratam de fenômenos fonológicos com interessantes implicações teóricas. Ampliando a Coleção Aryon Rodrigues, o artigo 'Silêncio, nasalidade e laringalidade em línguas indígenas brasileiras' (Rodrigues 2003), baseado em artigo publicado originalmente em 1986 (mas que, por problemas de distribuição, acabaria não tendo a devida circulação), chama atenção para fenômenos que, embora recorrentes em línguas das terras baixas da América do Sul, tendem a ser ignorados na literatura fonológica. Em 'Um problema na análise fonológica dos segmentos vocálicos em Krenák', Thaïs Cristófaro Alves da Silva (1986) sugere, com base no comportamento das vogais /a/ e /E/ nesta língua, que a teoria de traços distintivos proposta por Chomsky em The Sound Pattern of English (1968) "não é totalmente adequada para caracterizar os segmentos vocálicos em Krenák como unidades fonológicas distintas".
Obras de Geraldo Lapenda: Xucuru (1962), Yathê (1965)
07 Feb 2009 15:09
A Biblioteca Digital Curt Nimuendaju conta agora com dois artigos de Geraldo Lapenda (1925-2004), pioneiro no estudo de línguas indígenas no nordeste: 'O dialecto Xucuru' (1962) e 'Perfil da língua yathê' (1965). A inclusão destes itens, raros e de difícil acesso, deve-se ao empenho de Marcelo Lapenda, filho do filólogo pernambucano, que os digitalizou a partir de itens da biblioteca pessoal do autor. Em 'O dialeto Xucuru' (possivelmente, a mais importante fonte publicada sobre esta língua extinta), Lapenda sistematiza e analisa dados coletados por dois funcionários do SPI (e conferidos posteriormente pelo próprio Lapenda). Apesar das limitações dos dados (a língua então já não contava com falantes fluentes), Lapenda oferece uma análise bastante perspicaz, lidando com as diferentes influências lexicais detectáveis (principalmente Tupinambá e Yathê), o uso cotidiano do que restava da língua (caracterizado pelo uso de vocábulos indígenas com a sintaxe do português), etc. O artigo inclui anotações manuscritas do autor, esclarecendo aspectos da descrição e das circunstâncias da coleta dos dados. Trata-se, enfim, de contribuição essencial para a compreensão da complexa situação etnográfica em que se inserem os Xukurú. Em 'Perfil da língua Yathê', Lapenda apresenta uma visão panorâmica das características mais marcantes desta língua, que seria assunto, anos mais tarde, de sua mais importante contribuição para a lingüística brasileira: o livro Estrutura da língua Iatê, publicado originalmente em 1968, com segunda edição de 2005.
Artigos de Nimuendaju na Zeitschrift für Ethnologie (1914, 1915)
19 Jan 2009 23:13
Vários artigos publicados por Curt Nimuendaju em 1914 e 1915 na Zeitschrift für Ethnologie foram recentemente acrescentados ao acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, incluindo o clássico 'Die Sagen von der Erschaffung und Vernichtung der Welt als Grundlagen der Religion der Apapocúva-Guaraní' (1914), que marca o início de sua longa lista de contribuições para a etnografia e a lingüística sul-americanas e que só viria a ser publicado em português mais de setenta anos depois ('As lendas da criação e destruição do mundo como fundamento da religião dos Apapocuva Guarani', 1987, Hucitec/USP; tradução de Charlotte Emmerich e Eduardo Viveiros de Castro).
Os cinco outros artigos contêm listas vocabulares e coletâneas de lendas de diversos povos indígenas: 'Vocabularios da Lingua Geral do Brazil nos dialectos dos Manajé do Rio Ararandéua, Tembé do Rio Acará Pequeno e Turiwara do Rio Acará Grande' (1914), 'Vokabular der Parirí-Sprache' (1914), 'Vokabular und Sagen der Crengêz-Indianer (Tājé)' (1914), 'Sagen der Tembé-Indianer (Pará und Maranhão)' (1915) e 'Vocabulare der Timbiras von Maranhão und Pará' (1915). O autor assina todos estes trabalhos com o nome 'Curt Nimuendajú-Unkel'; em trabalhos posteriores, o sobrenome alemão 'Unkel' seria abandonado. Estes e outros trabalhos de Nimuendaju (e sobre ele) podem ser acessados aqui.
Obras do Pe. Francisco das Chagas Lima
07 Jan 2009 19:35
O Padre Francisco das Chagas Lima (1757-1832), primeiro vigário de Aparecida e vigário de Curitiba, sua terra natal, desempenhou papel de destaque na vida eclesiástica da então capitania de São Paulo. Foi, porém, através de seu trabalho na catequização de dois povos indígenas que seu nome se tornou intimamente associado à história de duas povoações em cuja fundação desempenhara papel essencial: Queluz, na divisa com Minas Gerais e Rio de Janeiro, fundada em 1801 como aldeamento Purí, e Guarapuava (no que é, hoje, o estado do Paraná), criada em 1810 como aldeamento Kaingáng.
Como testemunha e protagonista dos primeiros anos da história de ambas as povoações, Chagas Lima produziu importantes documentos, alguns dos quais seriam publicados postumamente na RIHGB: a 'Noticia da fundação e principios d'esta Aldêa de S. João de Queluz' (Lima 1843), escrita originalmente em 1802, contém, além de detalhes históricos sobre a fundação da aldeia, informações sobre os costumes Purí antes da catequização; a 'Memoria sobre o descobrimento e colonia de Guarapuava' (Lima 1842), concluída provavelmente entre 1827 e 1828, contém, além de uma descrição detalhada do progresso e das vicissitudes do aldeamento, o "primeiro registro publicado sobre a língua Kaingáng", segundo Wilmar D'Angelis (2003).
Especialista em Kaingáng, D'Angelis sugere que Chagas Lima teria sido, também, o provável autor do extenso 'Vocabulario da lingua Bugre', publicado anonimamente em 1852 no mesmo periódico (Anônimo 1852) e que seria, na sua avaliação, "o melhor documento para o conhecimento da língua Kaingang produzido no Brasil no século XIX." Os três artigos, recentemente incluídos na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, podem ser acessados aqui.
Über einige ältere Bildnisse südamerikanischer Indianer (Ehrenreich 1894)
15 Dec 2008 17:44
por Mariana Françozo*
A Biblioteca Digital Curt Nimuendaju acaba de acrescentar a seu acervo mais um artigo do etnólogo alemão Paul Ehrenreich. Trata-se do texto "Über einige ältere Bildnisse südamerikanischer Indianer„, publicado originalmente na revista Globus em 1894. Neste singular artigo, Ehrenreich analisa os retratos de um homem tupi, uma mulher tupi, um homem tapuia e uma mulher tapuia executados pelo pintor holandês Albert Eckhout (c.1610-1666), que esteve por sete anos em Pernambuco (1637-1644) a serviço do Conde João Maurício de Nassau-Siegen (1604-1679), então governador do Brasil Holandês. Neste artigo, o etnólogo empreende um estudo dos quadros de Eckhout comparando-os com outras fontes visuais e textuais produzidas pelos artistas e cientistas de Nassau sobre os indígenas do Brasil. É digno de nota o esforço em identificar a exata etnia dos grupos retratados a partir da indumentária e da cultura material representadas nas telas. O artigo de Ehrenreich despertou o interesse dos estudiosos por estes quadros, até então estudados unicamente pelo famoso naturalista Alexander von Humboldt. A Revista do Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano, em seu número 65 (1905), publicou uma tradução deste artigo, feita por Manoel de Oliveira Lima. Os quadros de Eckhout encontram-se desde 1654 no Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhaguen.
*Mariana Françozo é doutoranda em Ciências Sociais na Unicamp com a tese “De Olinda a Olanda: a circulação de pessoas, objetos e saberes no Brasil Holandês”; sua dissertação de mestrado (2004) tratou da influência da etnologia alemã na obra de Sérgio Buarque de Holanda.
Visconde de Taunay: Scenas de viagem (1868), Os indios Caingangs (1888)
08 Dec 2008 17:48
Alfredo d'Escragnolle Taunay (1843-1899), militar e político do Império (que seria agraciado, pouco antes do fim da monarquia, com o título de visconde), é particularmente célebre por obras literárias como A Retirada da Laguna (1871) e Inocência (1872). Menos conhecidas são suas contribuições para o conhecimento de povos indígenas brasileiros, duas das quais fazem agora parte do acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. Em Scenas de viagem: exploração entre os rios Taquary e Aquidauana no districto de Miranda (1868), Taunay narra a viagem de reconhecimento que fez, em 1866, como engenheiro militar na Guerra do Paraguai, pelo sul de Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul), durante a qual travou contato com índios de diversas etnias (Kadiwéu, Terena, Kinikinau, Laiano). De particular interesse é o capítulo XII ("Os indios do districto de Miranda", p. 111-130), acompanhado de "Vocabulario da lingua Guaná ou Chané" (p. 131-148). Em 'Os indios Caingangs (Coroados de Guarapuava)' (1888), Taunay reúne informações obtidas quando ocupou, entre 1885 e 1886, o cargo de presidente da província do Paraná, incluindo um extenso vocabulário português-Kaingáng (p. 285-310).
Los indios Kaingángues de San Pedro (Misiones), con un vocabulario (Ambrosetti 1895)
25 Nov 2008 22:21
A Biblioteca Digital Curt Nimuendaju acaba de adicionar ao seu acervo mais uma importante fonte sobre os Kaingáng e sua língua: o artigo "Los indios Kaingángues de San Pedro (Misiones), con un vocabulario" (1895), do pesquisador argentino Juan Bautista Ambrosetti (1865-1917). O conteúdo da obra — da qual uma versão em português foi recentemente publicada — é descrito assim pelo lingüista Wilmar D'Angelis (PDF), especialista em Kaingáng: "As notas históricas e etnográficas são primorosas […] e, salvo engano, [o artigo] apresenta as primeiras fotografias de índios Kaingang incluídas em publicação etnográfica sobre eles. Ao final das 49 páginas de texto seguem-se mais 30 do Vocabulario del idioma Kaingangue. Além de ser um dos únicos registros do dialeto falado em Misiones, é um vocabulário muito extenso, quase inusual para a época: em suas 30 páginas há 853 itens lexicais (sendo 242 verbos) e 71 frases." Este é o segundo trabalho de Ambrosetti incluído na Biblioteca.
Exploração dos rios Mucury e Todos os Santos (Renault 1903)
02 Oct 2008 01:13
Mais uma importante fonte sobre os "Botocudos" de Minas Gerais (família lingüística Krenák) acaba de ser acrescentada ao acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju: o artigo 'Exploração dos rios Mucury e Todos os Santos e seus affluentes', de Pedro Victor Renault, organizado e anotado por Léon Renault e publicado na Revista do Archivo Publico Mineiro (1903). Além de informações sobre a vida do autor (engenheiro e médico francês radicado no Brasil), o trabalho contém dois itens de sua autoria: o "Relatorio da exposicao dos rios Mucury e Todos os Santos, feito por ordem do Ex.mo Governo de Minas Geraes pelo engenheiro Pedro Victor Renault, tendente a procurar um ponto para degredo" (p. 1077-1092), em que se relatam detalhes da expedição (1836-1837) e costumes das tribos da região, e o extenso "Vocabulario da lingua dos Botocudos, Nac-nanuks e Giporocas, habitantes das margens dos Rios Mucury e Todos-os-Santos, tambem identico ao dos Kraik-mús habitantes das margens do Rio Gequitinhonha" (p. 1095-1115).
Nheengatu (Moore, Facundes & Pires 1993)
15 Sep 2008 20:51
O artigo 'Nheengatu (Língua Geral Amazônica), its History, and the Effects of Language Contact' (Moore, Facundes & Pires 1993), um apanhado das principais características do Nheengatú contemporâneo falado na região do Rio Negro, foi recentemente incluído no acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. O artigo se concentra especialmente na sintaxe, um dos aspectos menos conhecidos do Nheengatú moderno, mas oferece também informações históricas e sociolingüísticas sobre a evolução do Nheengatú a partir do Tupinambá e um esboço da fonologia e da morfologia. O sketch inclui, ainda, a análise interlinear de trechos de um diálogo entre dois falantes do Nheengatú moderno e de uma lenda coletada por Barbosa Rodrigues no século XIX.
Coleção Aryon Rodrigues
12 Aug 2008 05:28
A Biblioteca Digital Curt Nimuendaju tem a satisfação de anunciar o lançamento da Coleção Aryon Rodrigues, que reúne uma amostra da produção científica de um dos lingüistas que mais têm influenciado no desenvolvimento dos estudos das línguas indígenas brasileiras. Apesar de não se pretender exaustiva, a Coleção (que deverá ser gradualmente ampliada) visa a ser representativa das contribuições do autor em suas diversas áreas de atuação. Isto se reflete na escolha dos seis artigos incluídos nesta fase inaugural. Um deles, de conteúdo programático ('Tarefas da lingüística no Brasil', 1966), representa os esforços do autor no processo de consolidação institucional dos estudos científicos das línguas indígenas brasileiras; os demais constituem modesta amostra de suas contribuições para o conhecimento da família lingüística Tupí-Guaraní, lidando com aspectos da gramática do Tupinambá ('Morfologia do verbo Tupi', 1953; 'A composição em Tupi', 1951; 'Argumento e predicado em Tupinambá', 1996) e da classificação interna da família Tupí-Guaraní ('Relações internas na família Tupí-Guaraní', 1985; 'A língua dos índios Xetá como dialeto guarani', 1978).
Este último, uma das poucas fontes publicadas sobre o Xetá, tem particular interesse para a lingüística histórico-comparativa, não só por determinar a posição genética do Xetá dentro da família (eliminando a idéia de que o Xetá seria uma 'língua mista'), mas também por ilustrar um caso fascinante em que o uso de locuções descritivas para substituir palavras tabuizadas, a substituição de termos herdados por construções metafóricas inspiradas na mitologia e a ocorrência de processos profundos de mudança fonológica podem contribuir para obscurecer a identificação de cognatos. O artigo 'Relações internas na família Tupí-Guaraní' é, por outro lado, um bom exemplo de como a lingüística histórico-comparativa pode contribuir com áreas afins na resolução de alguns problemas clássicos da etnografia sul-americana, servindo, entre outros propósitos, para questionar a hipótese (devida inicialmente a Couto de Magalhães) da origem "Karijó" dos Avá-Canoeiro, demonstrando que a língua deste povo (cujos remanescentes vivem em Goiás e no Tocantins) pertence, de fato, ao mesmo subgrupo que reúne línguas faladas mais ao norte (o Tapirapé, o Asuriní do Tocantins e o Tembé).
Na criação da Coleção Aryon Rodrigues, a Biblioteca Digital Curt Nimuendaju conta com o apoio do Laboratório de Línguas Indígenas da Universidade de Brasília, nas pessoas de Ana Suelly Arruda Câmara Cabral e Lidiane Szerwinsk Camargos. Como sempre, sugestões e comentários são muito bem vindos.
Artigos de Wanda Hanke sobre os Kaingáng e Xokléng (1947)
09 Aug 2008 16:28
Dois artigos sobre povos Jê do Sul, publicados pela antropóloga alemã Wanda Hanke nos Arquivos do Museu Paranaense (1947), foram recentemente disponibilizados na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju: "Vocabulario del Caingangue de la Serra do Chagú", contendo lista lexical e frases de uma variedade Kaingáng do Paraná, e "Apuntes sobre el idioma caingangue de los botocudos de Sta. Catarina", uma valiosa fonte de informações sobre a língua dos Xokléng, com vocabulário, frases, notas gramaticais e um mito de origem deste povo, transcrito na língua indígena e acompanhado de tradução livre. Ambos os artigos (fornecidos por Victor Petrucci, de Campinas) podem ser acessados também através da página da autora.
Obras de Paul Ehrenreich
29 Jul 2008 04:27
Várias obras do antropólogo alemão Paul Ehrenreich (1855-1914) foram incluídas recentemente na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. Além de trabalhos sobre os "Botocudo" (família Krenák, tronco Macro-Jê) e sua língua (1887, 1896), o acervo inclui a monografia Die Mythen und Legenden der Südamerikanischen Urvölker und ihre Beziehungen zu denen Nordamerikas und der alten Welt (1905), trabalho seminal para os estudos de mitologia comparada, e os "Materialien zur Sprachenkunde Brasiliens", série de artigos (1894-1897) com material lingüístico Karajá, Kaiapó, Xavante, Xerente, Guajajara, Anambé, Apiaká e Paumari. Estes trabalhos, bem como informações biobibliográficas sobre o autor, podem ser acessados aqui.
Barbosa Rodrigues: Poranduba Amazonense (1890); Pacificação dos Crichanás (1885)
25 Jul 2008 00:06
Um dos principais nomes na história da botânica brasileira, João Barbosa Rodrigues (1842-1909) produziu também importantes contribuições para o conhecimento de línguas e culturas indígenas da Amazônia. Alguns de seus trabalhos nesta área estão agora disponíveis na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. Em Rio Jauapery: Pacificação dos Crichanás (1885), Barbosa Rodrigues documenta a expedição ao Rio Jauaperi que, sob seu comando, estabeleceu contato com os "Crichanás" (Waimiri-Atroari, família Karib). O trabalho inclui um vocabulário "Crichaná" comparado com "os dialectos ipurucotó e macuchy, afim de que se possa ver a affinidade que ha entre as tres e as diversas modificações por que passam". No clássico Poranduba Amazonense (1890), Barbosa Rodrigues publica uma coletânea de lendas e canções em Nheengatu (ou Língua Geral Amazônica), com tradução interlinear em português, seguida de tradução livre. Também foi incluído no acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju o Vocabulario indigena comparado para mostrar a adulteração da lingua (1892), publicado como complemento à Poranduba Amazonense.
Poranduba Maranhense (Prazeres 1891)
30 Jun 2008 14:06
A obra Poranduba Maranhense, ou Relação Histórica da Provincia do Maranhão, do Frei Francisco de Nossa Senhora dos Prazeres (1790-1852), publicada em 1891 na Revista Trimensal do Instituto Historico e Geographico Brazileiro (v. 54), acaba de ser acrescentada ao acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. O trabalho inclui, em apêndice, um "Dicionario abreviado tupinambá-portuguez". Sobre a autoria do dicionário, Frei Francisco dos Prazeres escreve o seguinte: "elle foi composto pelo frei Onofre… (nada mais sei do seu nome), antigo missionario dos indios, entre cujas obras manuscriptas eu o descobri na livraria do convento de Santo Antonio do Maranhão." O arquivo inclui, ainda, 'Notas sobre o Poranduba Maranhense', em que César Augusto Marques, sócio do Instituto e responsável pela publicação da obra, fornece algumas informações biográficas sobre Frei Francisco dos Prazeres e descreve as circunstâncias da aquisição do manuscrito.
Obras sobre Curt Nimuendaju
28 Jun 2008 14:52
Duas obras sobre a vida e a obra de Curt Nimuendaju, importantes para o conhecimento de sua produção científica, acabam de ser disponibilizadas na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju: o artigo de Herbert Baldus (1945) no Boletim Bibliográfico (do qual uma versão em inglês, traduzida por Charles Wagley, foi publicada em American Anthropologist, em 1946); e o livro Curt Nimuendajú: síntese de uma vida e de uma obra, de Nunes Pereira (1946). Uma pequena nota de Alfred Métraux no Journal de la Société des Américanistes (1950), dando notícia da morte de Nimuendaju (e confundindo a data do falecimento), foi também incluída. A inclusão destes trabalhos de cunho biobibliográfico faz parte de iniciativa mais ampla com o objetivo de reunir artigos de Nimuendaju atualmente dispersos em diversos periódicos.
Revista do Museu Paulista (1904)
25 Jun 2008 13:46
Mais três artigos sobre povos indígenas do sul do Brasil, publicados em 1904 na Revista do Museu Paulista, estão agora disponíveis na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju: 'Os Guayanãs e Caingangs de São Paulo', de Hermann von Ihering; 'Os indios Guayanãs', de Benigno Martinez; e 'Observações sobre os indigenas do Estado do Paraná', de Telêmaco Borba. Os artigos discutem a posição etnográfica dos "Guayanãs", analisando informações históricas, etnográficas e lingüísticas. O artigo de Martinez compara vocabulários "Guayanã" (de Lista e Patiño) e "Ingaim" (de Ambrosetti). O artigo de Borba inclui, além de lendas e informações etnográficas sobre os Kaingáng e Aré (Xetá), um vocabulário Aré.
Il Vaupes e gli Vaupes (Stradelli 1890)
09 Jun 2008 00:46
O artigo "Il Vaupes e gli Vaupes", de Ermanno Stradelli (1890), é o mais novo item no acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. Como explica Sacha Aikhenvald (La Trobe University, Austrália), que nos forneceu o artigo, trata-se de obra "rara e de caracter fundamental para o conhecimento da etnologia e da cultura dos povos da área do Vaupés, inclusive Tuyuca, Piratapuya, Wanano, e outros."
Umutina (Schultz 1952); Karajá, Xerénte, Kaiapó (Sócrates 1892); Kaxuyána (Hurley 1932)
01 Jun 2008 12:48
Três artigos, contendo vocabulários de diversas línguas brasileiras, foram recentemente incluídos na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju:
Socrates, Eduardo Arthur. 1892. Vocabularios indigenas organizados por Eduardo Arthur Socrates, tenente de artilheria. Revista Trimensal do Instituto Historico e Geographico Brazileiro, tomo 55, parte 1, p. 87-96.
Hurley, Jorge. 1932. Vocabularios dos aborigenes dos rios Trombetas, Cachorro e Jacycury. Revista do Instituto Historico e Geographico do Pará, 7: 229-235. Belém.
Schultz, Harald. 1948. Vocabulário dos índios Umutina. Journal de la Société des Américanistes, N.S., 41:81-137.
O vocabulário Umutina de Schultz (fornecido por Lincoln Ribeiro, da UEG) é uma das principais fontes sobre esta língua (cujo último falante faleceu há alguns anos), sendo essencial para o conhecimento da família Boróro. Embora a língua registrada no artigo de Hurley não seja explicitamente nomeada, é provável que se trate do Kaxuyána (segundo avaliam Roland Hemmauer e Lincoln Ribeiro). Já o artigo de Sócrates inclui vocabulários de três línguas Macro-Jê: Karajá, Xerénte e Kaiapó.
Sermones y exemplos en lengua guarani (Yapuguay 1953 [1727])
29 May 2008 21:34
Exemplo raro de autoria indígena em tempos coloniais, Sermones y exemplos en lengua Guarani, obra de Nicolás Yapuguay publicada originalmente em 1727, é o mais novo item no acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, em edição facsimilar de 1953 (mais uma excelente contribuição de Waldemar Ferreira Netto, da USP). Impresso na aldeia de San Francisco Javier (localizada no que seria hoje território argentino) e escrito por um cacique Guarani ("con dirección de un religioso de la Compañia de Jesus" — provavelmente Paulo Restivo), "es todo él de factura americana", como lembra Guillermo Furlong na introdução.
Leia mais: Sobre as missões jesuíticas entre os Guarani
Excursión a los Indios del Araguaia (1948)
10 May 2008 16:56
Em meados de 1945, o jornalista, escritor e esperantista Tibor Sekelj (1912-1988) percorreu o Rio Araguaia, desde Aragarças à ponta norte da Ilha do Bananal, visitando aldeias Karajá e Javaé. Além de servir de inspiração para o livro infantil Kumeŭaŭa, la filo de la ĝangalo ('Kumewawa, o filho da floresta', publicado originalmente em esperanto), a viagem resultou no artigo "Excursión a los Indios del Araguaia" (1948), que acaba de ser incluído na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. Enviado por Hélène Brijnen (Leiden), trata-se de uma fonte muito pouco conhecida sobre os Karajá/Javaé, não tendo sido mencionada em nenhum dos trabalhos publicados sobre a língua e a cultura deste povo.
O artigo inclui, além de informações etnográficas e fotos do cotidiano Karajá, um vocabulário Karajá-espanhol, fornecido por indivíduos da aldeia Karajá do Sul de Aruanã (então Leopoldina), Goiás. A transcrição do vocabulário é razoavelmente confiável (principalmente quando comparada com a de vocabulários anteriores, e mesmo com obras de alguns contemporâneos, como Frei Luiz Palha). O vocabulário de Sekelj é particularmente útil para corroborar outras fontes da mesma época. Um exemplo é o empréstimo maritó 'paletó', que eventualmente viria a cair em desuso; documentado por Sekelj e Brito Machado, é um item útil para ilustrar adaptações fonológicas de empréstimos em uma época em que os Karajá tinham menor familiaridade com o português.
Leia mais: Sobre o autor (Wikipedia, Esperanto.Net); Kumewawa, o filho da floresta (em sérvio); sobre a revista Runa: Archivo para las Ciencias del Hombre.
Estórias e Lendas Indígenas (Pinto 1955)
27 Mar 2008 16:51
Estórias e Lendas Indígenas, de Estêvão Pinto (1955), obra rara sobre os Fulniô, é o mais novo item a ser incorporado ao acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju (cortesia do lingüista Waldemar Ferreira Netto, da USP). Além de fornecer informações históricas e etnográficas diversas, o texto analisa quatro mitos Fulniô, três dos quais — 'Como os Fulniô conseguiram o fogo', 'A criação do homem, após o dilúvio' e 'A santa dos caboclos' — são apresentados no original em Yatê, acompanhado de tradução literal (feita com a colaboração do lingüista Geraldo Lapenda) e seguido por tradução livre.
A vida de Nosso Senhor Jesus Christo (Rice & Kyle 1929)
20 Feb 2008 20:18
O livreto A vida de Nosso Senhor Jesus Christo (Scripture Gift Mission, Londres, 1929), com texto em português e Tembé "para servir à instrução religiosa dos índios Tembé e Guajajara", acaba de ser incluído no acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. Embora a obra em si não contenha indicações de autoria, a ficha catalográfica do Worldcat lista como autores John M. Kyle (texto em português) e J. Duval Rice (texto em Tembé). Outros trabalhos de Frederick John Duval Rice, publicados originalmente no Journal de la Société des Américanistes, estão disponíveis online no site do projeto Persée: 'A pacificação e identificação das afinidades linguisticas da tribu Urubú dos estados de Para e Maranhão, 1928-1929' (1930), 'Short Aparai vocabulary' (1931) e 'O idioma Tembé' (1934).
Actualidade Indigena (Borba 1908)
04 Jan 2008 23:10
O livro Actualidade Indigena, de Telêmaco Borba (1908), é o acréscimo mais recente ao acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. Esta obra rara (e, até o momento, de difícil acesso) contém material lingüístico Kaingang, Kaiowá, Guarani e Oti (Eo-Xavante), além de diversas informações de interesse etnográfico.
Baldus (1954), Ihering (1907)
26 Nov 2007 17:15
A Biblioteca Digital Curt Nimuendaju acaba de incluir em seu acervo dois outros trabalhos que tratam dos Oti (uma das tribos menos conhecidas do continente): os artigos "Os Oti", de Herbert Baldus (1954), e "A anthropologia do Estado de São Paulo", de Hermann von Ihering (1907).
O artigo de Baldus (1954) supre uma das lacunas do Handbook of South American Indians, que não tratou dos Oti, fornecendo uma pesquisa bibliográfica de tudo o que havia disponível sobre esta tribo — incluindo trecho do diário de Nimuendaju sobre "o fim da tribo Oti", que seria publicado décadas depois no livro Textos Indigenistas (Edições Loyola, 1982; resenha).
O artigo de Ihering (1907) é a tradução de um opúsculo publicado em inglês por ocasião da Exposição Universal de Saint Louis (EUA), em 1904 (que está também disponível online, no site do Internet Archive). Enquanto a versão original em inglês não inclui material lingüístico, a tradução brasileira inclui os vocabulários Oti ("Eochavante") de Telêmaco Borba e Ewerton Quadros, além de alguns itens lexicais Kaingáng e "Notobotocudo" (Xetá).
Sugerindo que "a língua dos Eochavantes parece ser um tanto alliada á dos Gês", Ihering dá início à idéia (sem fundamento) de que o Oti seria geneticamente relacionado às línguas Jê (idéia adotada mais tarde por Greenberg). Também digna de nota é a opinião de Ihering (que, como respeitado naturalista e diretor do Museu Paulista, era um dos principais nomes da ciência no Brasil de então) sobre o destino que se devia dar aos índios de São Paulo (p. 215):
"Os actuaes indios do Estado de São Paulo não representam um elemento de trabalho e de progresso. Como tambem nos outros Estados do Brazil, não se póde esperar trabalho sério e continuado dos indios civilizados e como os Caingangs selvagens são um impecilio para a colonização das regiões do sertão que habitam, parece que nao ha outro meio, de que se possa lançar mão, senão o seu exterminio."
Agradecimentos. A Biblioteca Digital Curt Nimuendaju deve a inclusão de ambos os textos ao lingüista J. Pedro Viegas Barros (CONICET, Argentina).
Fundação da lingüística americana (Leite 1938); Puri (Torrezão 1889)
22 Nov 2007 19:09
Para aqueles interessados na história da lingüística no Brasil, a Biblioteca Digital Curt Nimuendaju acaba de incluir em seu acervo o texto "Fundação da lingüística americana", segundo capítulo do tomo II (livro V) da História da Companhia de Jesus no Brasil, de Serafim Leite (1938).
Além de tratar — como seria de se esperar — dos esforços jesuítas na lida com a língua mais usada na costa do Brasil (o Tupinambá ou Tupi da Costa), o texto menciona o Maromomim, língua 'tapuia' de São Paulo que, de acordo com Aryon Rodrigues ('Macro-Jê', em Dixon & Aikhenvald 1999, p. 166), poderia ter pertencido à família Puri (tronco Macro-Jê).
De acordo com as fontes jesuítas, o padre Manuel Viegas (falecido em 1608) teria produzido vocabulário, catecismo e uma gramática da língua Maromomim. Tais documentos, contudo, nunca foram localizados (e se forem, um dia, este seria sem dúvida um importante achado).
Por falar na família lingüística Puri, também foi incluído recentemente na Biblioteca o vocabulário Puri de Torrezão (1889).
Adam (1897), Baldus (1958), Davis (1966), Larrañaga (1923) e Quadros (1892)
14 Nov 2007 21:56
Os itens listados abaixo — um livro e quatro artigos — acabam de ser adicionados ao acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. Embora todos representem contribuições duradouras para o conhecimento das línguas indígenas sul-americanas, dois deles merecem menção especial, por seu valor como documentos de línguas muito pouco conhecidas: Larrañaga (1923), sobre a língua Chaná, e Quadros (1892), uma das poucas fontes sobre o Oti (ao lado de vocabulários coletados por Telêmaco Borba e Curt Nimuendaju — publicado, este último, por Hermann von Ihering (1912) em artigo disponibilizado recentemente na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju).
Agradecimentos. A Biblioteca agradece as valiosas colaborações dos colegas Dioney Gomes (UnB), Davi Albuquerque (UnB), Françoise Rose (CNRS, França), J. Pedro Viegas Barros (CONICET, Argentina) e Lincoln Almir Amarante Ribeiro (UEG).
Novos acréscimos ao acervo:
Adam, Lucien.1897. Matériaux pour Servir a l'Établissement d'une Grammaire Comparée des Dialects de la Famille Kariri. Bibliothèque Linguistique Américaine, Tome XX. Paris: J. Maisonneuve.
Baldus, Herbert. 1958. Contribuição à lingüística Jê. Miscellanea Paul Rivet Octogenario Dicata, vol. II, p. 23-41. Universidad Nacional Autónoma de México.
Davis, Irvine. 1966. Comparative Jê phonology. Estudos Lingüísticos: Revista Brasileira de Lingüística Teórica e Aplicada, vol. 1, n. 2, p. 10-24.
Larrañaga, Dámaso Antonio.1923. Compendio del idioma de la nación chaná. Escritos de D. Dámaso A. Larrañaga, tomo III: 163-174. Montevideo: Instituto Histórico y Geográfico del Uruguay, Imprenta Nacional.
Quadros, Francisco R. Ewerton. 1892. Memoria sobre os trabalhos de exploração e observação efetuada pela secção da comissão militar encarregada da linha telegráfica de Uberaba a Cuiabá, de fevereiro a junho de 1889. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, vol. 55, (1):233-260. Rio de Janeiro.




