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SCHMIDT, Max. 1917. Die Aruaken: Ein Beitrag zum Problem der Kulturvergleichung. (Studien zur Ethnologie und Soziologie, 1) Leipzig: Veit & Comp. 109 p.

Die Aruaken, livro raro que apenas pode ser encontrado em poucos sebos, é uma síntese dos conhecimentos sobre os povos indígenas falantes de línguas aruaque, ou Aruak/ Arawak, no período antes da Primeira Guerra Mundial. É um estudo clássico de suma importância para os estudos comparativos dos povos aruaques, como pode ser observado pela leitura de diversos artigos na coletânea organizada por Jonathan Hill e Fernando Santos-Granero (Comparative Arawakan Histories: Rethinking Language Family and Culture Area in Amazonia. Urbana, Chicago: University of Illinois Press, 2002). A única tradução para o português, de autoria desconhecida, encontra-se depositada na biblioteca do PPGAS do Museu Nacional/UFRJ, porém não tem o mapa anexado do original. Por isso, é muito proveitoso que a Biblioteca Digital Curt Nimuendajú disponibilizou a versão original digitalizada aos interessados.

Trata-se da segunda tese de doutorado de Max Schmidt (1874-1950), que já era doutor em Direito pela Friedrich-Alexander-Universität Erlangen desde 1899 e tinha realizado três expedições científicas na América do Sul (1900-01, 1910 e 1914). Depois de voltar da primeira expedição, em 1901, ele achou emprego, como assistente da diretoria, no Museu Etnológico de Berlim, naquela época o centro dos estudos etnológicos americanistas na Alemanha. Em 1916, Schmidt defendeu sua segunda tese na Faculdade de Filosofia da Universidade de Leipzig. A publicação, tradicionalmente obrigatória para receber definitivamente o título de doutor (Dr. phil., neste caso) no sistema universitário alemão, seguiu um ano depois.

Durante suas expedições Schmidt já tinha observado a influência cultural dos povos aruaques sobre grupos linguística e culturalmente diferenciados, o que estimulou o interesse de tentar achar uma explicação pelo fato da enorme expansão geográfica dos aruaques nas terras baixas da América do Sul. Como ele explicita na p. 12, o problema central do estudo não seria descobrir a origem geográfica dos aruaques, mas explicar sua dinâmica cultural. Na realidade, ele dedica-se às duas questões, porém dá preferência à segunda. E a forma como ele aborda esta questão de fato indica caminhos para rumos futuros da etnologia, enquanto a primeira é um resquício do século XIX. Apenas no cap. 5, Schmidt aventa uma hipótese sobre uma possível origem geográfica dos aruaques no sudoeste da Amazônia, operando com especulações sobre contatos com as culturas do altiplano andino, como Tiwanaku.

Chama a atenção que o autor problematiza diferenças entre classificações linguísticas e características culturais e opera com distinções claras entre fenômenos como língua e cultura e conceitos como aculturação, difusão e mudança cultural em termos gerais. Seu argumento epistemológico principal é que outros autores anteriores a ele não teriam levantado as questões certas sobre a expansão dos aruaques e, por isso, não teriam chegado a respostas satisfatórias. E a teoria de Schmidt de fato é diferente daquelas dos antecessores, mostrando grande originalidade para a época.

Nos comentários iniciais que precedem o texto principal (Methodologische Vorbemerkungen), o autor explica seu posicionamento teórico e metodológico: defende a interdisciplinaridade e chama a abordagem própria de sociológica. Inicialmente, a posição com relação à Doutrina dos Círculos Culturais (Kulturkreislehre) de Graebner e do Padre Wilhelm Schmidt ainda pode ser descrita como reservada e cautelosa, porém ela se transforma em rejeição contundente no final do trabalho. Do ponto de vista metodológico, Max Schmidt, com sua defesa de comparações interculturais sistemáticas e empiricamente fundamentadas, se posiciona mais próximo dos ensinamentos de Boas do que das teorias difusionistas austro-alemãs da época, refletindo as influências de Adolf Bastian e Karl von den Steinen.

A estrutura do trabalho é muito clara: depois dos comentários metodológicos e de um resumo sobre os estudos etnológicos realizados sobre os povos aruaques até então, Schmidt escreve sobre os motivos (cap. 2), os meios (cap. 3) e o caráter (cap. 4) da expansão das culturas aruaques. O cap. 5, o mais especulativo de todos, trata da posição das culturas aruaques com relação a outras culturas (indígenas e não-indígenas) nas Américas, enquanto no cap. 6 o autor examina a influência da expansão das culturas aruaques sobre as transformações de várias manifestações culturais. No final, os resultados do estudo são apresentados de forma concisa.

O caráter do estudo é etnológico, no sentido de uma comparação sistemática de informações etnográficas. Para as análises bibliográficas Schmidt lançou mão, além dos próprios trabalhos sobre os “Paressí-Kabiší” (Paresí-Kabizi), principalmente dos estudos de autores como Paul Ehrenreich, Theodor Koch-Grünberg, Erland Nordenskiöld, Karl von den Steinen e Everhard im Thurn, este com relação às Guianas. Em geral, as explicações e digressões etnográficas não são exaustivas, mas têm a finalidade de dar sustento à teoria explicativa do autor sobre a expansão social e cultural dos aruaques. A função delas é basicamente ilustrativa.

O ponto de partida da análise de Schmidt é a identificação da agricultura, combinada com uma maior complexidade social, como denominador comum de todas as culturas aruaque, apesar de sua grande diversidade em termos gerais. O autor destaca as culturas de mandioca e milho como economicamente dominantes. Chama a atenção que as numerosas variedades destas culturas agrícolas ainda não foram levadas em consideração, mesmo sendo de suma relevância para os estudos das economias indígenas, com base nos conhecimentos atuais.

Desse modo, a abordagem “sociológica” de Schmidt também podia ser rotulada “socioeconômica”, embora ela não tenha nada a ver com determinismo materialista, porém é muito diferente das teorias mainstream na Alemanha da época. Schmidt apresenta uma cadeia de consequências: [características do meio ambiente + agricultura] —> sociedades sedentárias —> necessidades crescentes por várias matérias-primas —> esgotamento de recursos naturais —>aumento do trabalho a ser investido —> [maior demanda por força de trabalho + redes mais amplas de troca e comércio]. Neste sentido, ele parece antecipar em parte a ecologia cultural de Julian Steward.

Schmidt analisa as formas de organização social dos aruaques com relação às atividades econômicas e às diferenciações sociais internas. A expansão dos aruaques seria menos populacional, no sentido de grupos inteiros se deslocar a novos territórios, mas, sobretudo, caracterizada por dominação social e cultural. A necessidade de manter suas comunidades sedentárias desencadearia processos de procura por ampliar a força de trabalho não mais encontrada na própria sociedade, porém a incorporação de membros de outras sociedades se daria tanto por subjugação militar quanto, majoritariamente, por influências culturais exercidas de forma lenta e sutil, de modo que a expansão dos aruaques possa ser chamada ‘sociocultural’. Schmidt analisa as mais diversas formas, relatadas nas etnografias consultadas, de relações entre aruaques e não-aruaques: conflitos interétnicos com o objetivo de roubar ou escravizar mulheres e crianças, casamentos por rapto (“Raubehe”), dominação militar, alianças políticas, casamentos interétnicos pacificamente regularizados, adoções, visitas, festas, rituais, trocas de objetos, etc. Até o ritual da couvade é interpretado neste sentido: no caso de residência pós-nupcial uxorilocal, sua função seria socialmente agregativa por conseguir vincular genros à unidade doméstica do sogro (aruaque).

Além desses mecanismos de dominação, Schmidt apresenta uma série de outros que podiam ser rotulados de ‘ideológicos’ num sentido quase marxista: mitos, determinados rituais e magias. Até as artes plásticas são interpretadas como tendo essa função social.

A teoria de Schmidt sobre caráter e causas da expansão aruaque nas terras baixas da América do Sul tem pouco a ver com as teorias migratórias da época por identificar e explicitar diversos fatores sociais e econômicos. Desse modo, ele conseguiu apresentar uma teoria própria de mudança cultural, ao mesmo tempo funcionalista e dinâmica. Ela pode ser mais bem caracterizada como uma teoria de sobreposição social e cultural engatada com algum tipo de teoria de dependência avant le nom: os aruaques transformam em dependentes outros grupos ou povos antes independentes por contribuir à satisfação das necessidades econômicas destes e, ao mesmo tempo, de si mesmos. Ou com as palavras do autor: “Correspondem então, por um lado, o instinto de ganho e, por outro lado, o instinto de subjugação” (“Es entsprechen sich also der Erwerbstrieb auf der einen Seite und der Unterwerfungstrieb auf der anderen Seite”; p. 49). Um vocabulário superado, sim, mas indicador de uma teoria original.

No cap. 6, Schmidt lança uma crítica contundente contra Padre Wilhelm Schmidt e a Doutrina dos Círculos Culturais, em particular contra a aplicação dessa teoria para explicar a diversidade das culturas indígenas sul-americanas (SCHMIDT, Wilhelm, S.V.D. 1913. Kulturkreise und Kulturschichten in Südamerika. Zeitschrift für Ethnologie, 45: 1014-30). Tanto os círculos culturais (Kulturkreise) quanto as camadas culturais (Kulturschichten) não possuiriam nenhuma base empírica. O caráter especulativo do difusionismo austro-alemão é confrontado com a própria teoria de mudanças culturais, inspirada, por sua vez, na teoria de mudança cultural do sociólogo Alfred Vierkandt (1867-1953) (Die Stetigkeit im Kulturwandel: Eine soziologische Studie. Leipzig: Duncker & Humblot, 1908). Vierkandt distinguiu entre “bens culturais” (Kulturgüter) “essenciais” e “não essenciais”, o que explica sua utilidade para o modelo de mudança cultural esboçado por Schmidt para os processos de “aruaquisação” (“Aruakisierung”).

Die Aruaken é um clássico da etnologia sulamericanista que ainda vale a pena ler. Escrito num dos períodos mais terríveis da história humana, é interessante ver que o livro termina com um apelo ao leitor de ver que muitas mudanças culturais podem ser alcançadas sem imposições violentas. Será que foi uma lembrança tímida de um humanista dos objetivos desastrosos do Império que levariam o país à derrota militar e ao colapso econômico um ano depois?

Peter Schröder

(Professor do Departamento de Antropologia e Museologia e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco)

Este livro foi resenhado por Egon Schaden, em American Anthropologist (Volume 55, Issue 5, 1953). O arquivo está disponível gratuitamente:
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1525/aa.1953.55.5.02a00130/pdf



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Para uma versão brasileira desta obra, publicada como parte da coleção Brasiliana, veja:
http://www.brasiliana.com.br/obras/geologia-e-geografia-fisica-do-brasil/pagina/615



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Versão em português by etnolinguisticaetnolinguistica, 27 Jan 2012 18:17

O artigo baseia-se em informações coletadas por Walter Garbe, que visitou a região em 1909, quando produziu também importante acervo fotográfico. O artigo de Ihering contribui para dar o devido contexto etnográfico às fotografias de Garbe — algumas das quais, digitalizadas pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, podem ser vistas também em nossa galeria no Flickr.



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O artigo inclui um "Mappa Ethnographico do Brazil Meridional", supostamente "organisado por H. v. Ihering". É provavelmente a este mapa que se refere Curt Nimuendaju em carta a Aryon Rodrigues, publicada por Guérios em 1948 (Nimuendaju & Guérios 1948). Respondendo a uma pergunta de Rodrigues sobre o território tradicional Ofayé, Nimuendaju se revela autor do mapa atribuído a Ihering (p. 241):

"O habitat dos Op(h)ayé, tanto no tempo de sua maior expansão (depois do recuo dos Kayapó Meridionais) como no anno de 1908 em que visitei a tribu pela primeira vez o Snr. pode vêr no mapa que acompanha o trabalho de Hermann von Ihering sobre os indios do Sul do Brasil, na Revista do Museu Paulista de 1910, si não me engano. Apezar do titulo que da como autor aquelle scientista, o referido mapa é exclusivamente trabalho meu."



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Mapa e autoria by etnolinguisticaetnolinguistica, 22 Jan 2012 03:39

Schuller (1924; http://biblio.etnolinguistica.org/schuller-1924-illustration): "Absolute ignorance as to the material culture of both the Tupi-Guarani and Botocudo-Crên-Crân. This is the only conclusion to be drawn from Schulze's article."



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by etnolinguisticaetnolinguistica, 17 Jan 2012 05:39

Nota de D. Q. Brinton, publicada em Science, vol. XX, n. 499, p. 115:

The Primitive Carib Tongue.

The expedition led by Dr. Karl von den Steinen, which explored the head-waters of the Schingu River in Brazil, made some remarkable discoveries. Tribes were found who had never heard of a white man, and were utterly ignorant of his inventions. They were still wholly in the stone age, uncontaminated—the word is not misapplied — by any breath of civilization. In ethnography, the most interesting find was the identification of the Bacahiris with the Carib stem, and apparently its recognition as perhaps the nearest of any of the Carib tribes to the original stock.

Dr. von den Steinen has just issued his linguistic material obtained from this tribe in a neat octavo of 403 pages, " Die Bakairi-Sprache " (K. F. Koehler, Leipzig, 1892). It contains abundant sources for the study of the group, vocabularies, texts, narratives, grammatical observations, and, what is peculiarly valuable, a close study of the phonetic variations of the various Carib dialects as far as they have been ascertained. He shows that in all the associated idioms the same laws of verbal modification hold good, although each has developed under its own peculiar influences. The thoroughness which marks throughout this excellent study places it in the front rank of contributions to the growing science of American linguistics.



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by etnolinguisticaetnolinguistica, 15 Jan 2012 15:35

Odair Giraldin, que descobriu o manuscrito "Cayapó e Panará" no IHGB, relata sua descoberta em nosso blog.



Biblioteca Digital Curt Nimuendaju
http://biblio.etnolinguistica.org

Mais de meio século após sua publicação, o Curso de Tupi Antigo (1956) do Pe. A. Lemos Barbosa continua sendo o melhor compêndio para o aprendizado desta língua. Extremamente didático, rico em exemplos e referências bibliográficas, baseado em cuidadosa pesquisa das fontes originais, o Curso é item essencial na estante de qualquer interessado na língua dos habitantes da costa brasileira no começo da colonização.

A importância do livro não se limita a sua utilidade para o aprendizado do Tupinambá. O prefácio é um texto particularmente importante para a historiografia dos estudos de línguas indígenas, oferecendo uma crítica — ainda atual — a vários mitos que, professados por lingüistas de prestígio (como, na época, Antenor Nascentes), tendem a se perpetuar (como a suposta "artificialidade" da língua documentada pelos jesuítas).

Há muito esgotado, o Curso acaba de ser incluído no acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju (uma excelente contribuição de Alexandro Ramos, de Curitiba). Considerando-se sua finalidade didática, a digitalização foi feita com cuidado especial para facilitar a consulta ao livro: o texto está disponível em pdf pesquisável ("searchable"), com cada um dos seus mais de 60 capítulos acessível através de "bookmarks".



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Apesar de há muito extinto, o Tupinambá (ou Tupí Antigo, a "língua mais usada na costa do Brasil" nos primeiros séculos da colonização) é uma das línguas indígenas mais bem documentadas do país. Descrita em gramáticas, registrada em textos catequéticos, vocabulários e crônicas coloniais, erigida a status de "língua indígena por excelência" e estudada continuamente desde o século XVI, a impressão que se tem é que a língua não teria, descritivamente falando, nada de novo a revelar.

No entanto, o Pe. Lemos Barbosa, grande especialista em Tupí Antigo, demonstra exatamente o contrário em um artigo que acaba de ser incluído na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. No artigo "Nova categoria gramatical tupi: a visibilidade e a invisibilidade nos demonstrativos" (1947), Lemos Barbosa descreve a relevância da noção de visibilidade para o sistema demonstrativo do Tupinambá, algo que teria, aparentemente, passado despercebido mesmo a autores como Anchieta e Figueira.



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Nossa página no Flickr não apenas reúne imagens do nosso próprio acervo, mas também ajuda a promover recursos disponíveis através de instituições como as Bibliotecas Nacionais do Rio e de Portugal e a Biblioteca da Universidade de Coimbra. As imagens (mapas, frontispícios de livros raros, fotos de autores) contribuem para aproximar os leitores a um rico patrimônio bibliográfico e aos autores que, ao longo dos séculos, vêm contribuindo para o conhecimento das línguas indígenas sul-americanas — e dos povos que as falam.



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Nossas imagens no Flickr by kawinakawina, 19 Dec 2009 13:34

O filólogo pernambucano Geraldo Lapenda (1925-2004) foi um pioneiro no estudo científico das línguas indígenas do nordeste brasileiro, sendo o autor de Estrutura da língua Iatê (1968, 2005), ainda hoje obra de referência obrigatória sobre esta língua. A Coleção Geraldo Lapenda da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju inclui artigos raros e de difícil acesso, digitalizados a partir de itens da biblioteca pessoal do autor.



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Beiträge zur Ethnographie und Sprachenkunde Amerikas zumal Brasiliens (1867), obra clássica de Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), é fonte essencial para o conhecimento de muitas línguas e tribos hoje extintas. Além de conter os únicos registros conhecidos de línguas como o Jeikó (Jê) e o Masakará (Kamakã), a obra apresenta uma das primeiras tentativas de sistematização da diversidade lingüística e cultural do continente (particularmente do Brasil).

Embora ambos os volumes deste trabalho já estejam disponíveis há um certo tempo, através do projeto Google Books, o mapa que acompanha o primeiro volume não havia sido devidamente digitalizado. A Biblioteca Digital Curt Nimuendaju supre agora esta lacuna, tornando o mapa disponível em formatos JPG e PDF. Os arquivos (armazenados no Internet Archive) podem ser acessados aqui. Como se trata de arquivos pesados, sugerimos os seguintes passos para o download: dê um clique direito (right click) e selecione "salvar alvo como" (save target as). Ambos os volumes do livro podem ser também ser acessados no site da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju.



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Organizada por Wilmar D'Angelis, Carla Maria Cunha e Aryon Rodrigues, a Bibliografia das Línguas Macro-Jê (Unicamp, 2002) reúne, como resultado de amplo esforço colaborativo, centenas de referências bibliográficas sobre línguas e culturas Macro-Jê (tanto em lingüística, como em etnografia, arqueologia e história). Publicada originalmente em caráter experimental, com uma tiragem de 250 exemplares, a Bibliografia se torna agora mais amplamente acessível, através de sua inclusão na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju.

Disponível em PDF pesquisável ("searchable"), a Bibliografia serve assim de base para a continuação do esforço colaborativo no sentido de sistematizar e catalogar os recursos bibliográficos existentes sobre os povos Macro-Jê — desta vez, em meio eletrônico. Aos organizadores do volume, na pessoa de Wilmar D'Angelis, nossos agradecimentos pela iniciativa original e pelo apoio para sua disponibilização online.



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

O Catecismo Brasilico da Doutrina Christaã, do Pe. Antônio de Araújo, é o item mais recente a ser adicionado ao acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, em reprodução fac-similar (1898), por Júlio Platzmann, da segunda edição de 1686. Assim, as principais fontes originais publicadas sobre o Tupí Antigo estão agora disponíveis online para o pesquisador interessado: além do Catecismo, contamos com a Arte de Grammatica da Lingva Mais Vsada na Costa do Brasil, do Pe. José de Anchieta (1595), e com a Arte de Gramatica da Lingua Brasilica, do Pe. Luís Figueira (1878 [1687]).



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Coleção Lucy Seki
kawinakawina 27 Mar 2009 21:14
in discussion Main / Novidades » Coleção Lucy Seki

Especialista nas línguas Kamaiurá (família Tupí-Guaraní) e Krenák (tronco Macro-Jê), com as quais vem trabalhando nas últimas quatro décadas, Lucy Seki é uma das mais ativas pesquisadoras na lingüística indígena brasileira. Dedicando-se a projetos de educação indígena e documentação lingüística, ela vem contribuindo também para o conhecimento de várias outras línguas indígenas, tanto em seus próprios estudos, como através da orientação de dezenas de teses e dissertações. Amostras desta ampla produção estão agora disponíveis na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, que lança hoje (dia em que se comemora o aniversário da autora) a Coleção Lucy Seki.

A Coleção inclui inicialmente quatro artigos, representando não apenas seus estudos sobre o Krenák (Problemas no estudo em uma língua em extinção, 1984; Apontamentos para a bibliografia da língua Botocudo/Borum, 1990) e o Kamaiurá (O Kamaiurá: língua de estrutura ativa, 1976), mas também uma área — a lingüística histórico-comparativa — em que sua contribuição é menos conhecida. Este é o caso do artigo Evidências de relações genéticas na família Jê (1989), em que a autora determina a posição do Tapayúna dentro da família Jê e aponta inconsistências na reconstrução do Proto-Jê feita por Davis (1966).



Eduardo R. Ribeiro
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Coleção Lucy Seki by kawinakawina, 27 Mar 2009 21:14

Visitantes mais assíduos do nosso website devem ter percebido que três novos artigos foram recentemente acrescentados ao acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. Em 'Etimologia da palavra Tupã' (1953), Geraldo Lapenda revisa várias hipóteses sobre a origem deste vocábulo Tupinambá (que, através das línguas gerais, viria a adquirir ampla distribuição em línguas indígenas do continente). Os outros dois artigos tratam de fenômenos fonológicos com interessantes implicações teóricas. Ampliando a Coleção Aryon Rodrigues, o artigo 'Silêncio, nasalidade e laringalidade em línguas indígenas brasileiras' (Rodrigues 2003), baseado em artigo publicado originalmente em 1986 (mas que, por problemas de distribuição, acabaria não tendo a devida circulação), chama atenção para fenômenos que, embora recorrentes em línguas das terras baixas da América do Sul, tendem a ser ignorados na literatura fonológica. Em 'Um problema na análise fonológica dos segmentos vocálicos em Krenák', Thaïs Cristófaro Alves da Silva (1986) sugere, com base no comportamento das vogais /a/ e /E/ nesta língua, que a teoria de traços distintivos proposta por Chomsky em The Sound Pattern of English (1968) "não é totalmente adequada para caracterizar os segmentos vocálicos em Krenák como unidades fonológicas distintas".



Eduardo R. Ribeiro
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A Biblioteca Digital Curt Nimuendaju conta agora com dois artigos de Geraldo Lapenda (1925-2004), pioneiro no estudo de línguas indígenas no nordeste: 'O dialecto Xucuru' (1962) e 'Perfil da língua yathê' (1965). A inclusão destes itens, raros e de difícil acesso, deve-se ao empenho de Marcelo Lapenda, filho do filólogo pernambucano, que os digitalizou a partir de itens da biblioteca pessoal do autor. Em 'O dialeto Xucuru' (possivelmente, a mais importante fonte publicada sobre esta língua extinta), Lapenda sistematiza e analisa dados coletados por dois funcionários do SPI (e conferidos posteriormente pelo próprio Lapenda). Apesar das limitações dos dados (a língua então já não contava com falantes fluentes), Lapenda oferece uma análise bastante perspicaz, lidando com as diferentes influências lexicais detectáveis (principalmente Tupinambá e Yathê), o uso cotidiano do que restava da língua (caracterizado pelo uso de vocábulos indígenas com a sintaxe do português), etc. O artigo inclui anotações manuscritas do autor, esclarecendo aspectos da descrição e das circunstâncias da coleta dos dados. Trata-se, enfim, de contribuição essencial para a compreensão da complexa situação etnográfica em que se inserem os Xukurú. Em 'Perfil da língua Yathê', Lapenda apresenta uma visão panorâmica das características mais marcantes desta língua, que seria assunto, anos mais tarde, de sua mais importante contribuição para a lingüística brasileira: o livro Estrutura da língua Iatê, publicado originalmente em 1968, com segunda edição de 2005.



Eduardo R. Ribeiro
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Vários artigos publicados por Curt Nimuendaju em 1914 e 1915 na Zeitschrift für Ethnologie foram recentemente acrescentados ao acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, incluindo o clássico 'Die Sagen von der Erschaffung und Vernichtung der Welt als Grundlagen der Religion der Apapocúva-Guaraní' (1914), que marca o início de sua longa lista de contribuições para a etnografia e a lingüística sul-americanas e que só viria a ser publicado em português mais de setenta anos depois ('As lendas da criação e destruição do mundo como fundamento da religião dos Apapocuva Guarani', 1987, Hucitec/USP; tradução de Charlotte Emmerich e Eduardo Viveiros de Castro).

Os cinco outros artigos contêm listas vocabulares e coletâneas de lendas de diversos povos indígenas: 'Vocabularios da Lingua Geral do Brazil nos dialectos dos Manajé do Rio Ararandéua, Tembé do Rio Acará Pequeno e Turiwara do Rio Acará Grande' (1914), 'Vokabular der Parirí-Sprache' (1914), 'Vokabular und Sagen der Crengêz-Indianer (Tājé)' (1914), 'Sagen der Tembé-Indianer (Pará und Maranhão)' (1915) e 'Vocabulare der Timbiras von Maranhão und Pará' (1915). O autor assina todos estes trabalhos com o nome 'Curt Nimuendajú-Unkel'; em trabalhos posteriores, o sobrenome alemão 'Unkel' seria abandonado. Estes e outros trabalhos de Nimuendaju (e sobre ele) podem ser acessados aqui.



Eduardo R. Ribeiro
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Este livro está disponível também na Sala Medina da Biblioteca Nacional de Chile: http://www.memoriachilena.cl/temas/documento_detalle.asp?id=MC0033266



Eduardo R. Ribeiro
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Disponível na Sala Medina by kawinakawina, 15 Jan 2009 15:19
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