Sobre a língua Aruã (Arawák)

por Eduardo R. Ribeiro

Em 1877, em Afuá, na Ilha de Marajó, o naturalista Domingos Soares Ferreira Penna (1818-1888) — mais conhecido como fundador do que é hoje o Museu Paraense Emilio Goeldi — coletou uma lista de palavras e frases da língua Aruã, "colhidas da bocca do ultimo representante desta tribu extincta". Publicada em 1881 nos Archivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, a lista (contendo um total de 224 itens) vem a ser, ao que parece, a única fonte publicada sobre esta língua, pertencente à família Arawák (ao contrário do que supunha o próprio Ferreira Penna, que afirmava serem os Aruã "um velho ramo" dos Karib).

Embora haja indicações de que vários trabalhos sobre (e na) língua Aruã teriam sido produzidos por missionários no século XVIII, tais manuscritos, aparentemente, se perderam (Nimuendaju 1948:195). Assim, o artigo de Ferreira Penna, disponível agora na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, constitui um exemplo raro, para a época, daquilo que hoje se costuma chamar "salvage linguistics": o esforço deliberado para documentar-se uma língua à beira da extinção. Além dos dados publicados por Ferreira Penna — fornecidos pelo velho pajé Anselmo José, então com cerca de 75 anos —, tem-se notícia de um vocabulário de 30 palavras coletado por Nimuendaju na região do Rio Uaçá, Amapá, em 1926 (Nimuendaju 1948:195).

Para saber mais:

Nimuendaju, Curt. 1948. The Turiwara and Aruã. In Steward, Julian H. (ed.), Handbook of South American Indians, Vol. 3: The tropical forest tribes, p. 193-198. Smithsonian Institution, Bureau of American Ethnology, Bulletin 143. Washington: Government Publishing Office.


Publicado originalmente no blog da Biblioteca Digital Curt Nimuendajú (31/ago/2010)

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