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Curso de Tupi Antigo (Barbosa 1956)

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Mais de meio século após sua publicação, o Curso de Tupi Antigo (1956) do Pe. A. Lemos Barbosa continua sendo o melhor compêndio para o aprendizado desta língua. Extremamente didático, rico em exemplos e referências bibliográficas, baseado em cuidadosa pesquisa das fontes originais, o Curso é item essencial na estante de qualquer interessado na língua dos habitantes da costa brasileira no começo da colonização.

A importância do livro não se limita a sua utilidade para o aprendizado do Tupinambá. O prefácio é um texto particularmente importante para a historiografia dos estudos de línguas indígenas, oferecendo uma crítica — ainda atual — a vários mitos que, professados por lingüistas de prestígio (como, na época, Antenor Nascentes), tendem a se perpetuar (como a suposta "artificialidade" da língua documentada pelos jesuítas).

Há muito esgotado, o Curso acaba de ser incluído no acervo da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju (uma excelente contribuição de Alexandro Ramos, de Curitiba). Considerando-se sua finalidade didática, a digitalização foi feita com cuidado especial para facilitar a consulta ao livro: o texto está disponível em pdf pesquisável ("searchable"), com cada um dos seus mais de 60 capítulos acessível através de "bookmarks".

Nova categoria gramatical tupi (Barbosa 1947)

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Apesar de há muito extinto, o Tupinambá (ou Tupí Antigo, a "língua mais usada na costa do Brasil" nos primeiros séculos da colonização) é uma das línguas indígenas mais bem documentadas do país. Descrita em gramáticas, registrada em textos catequéticos, vocabulários e crônicas coloniais, erigida a status de "língua indígena por excelência" e estudada continuamente desde o século XVI, a impressão que se tem é que a língua não teria, descritivamente falando, nada de novo a revelar.

No entanto, o Pe. Lemos Barbosa, grande especialista em Tupí Antigo, demonstra exatamente o contrário em um artigo que acaba de ser incluído na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. No artigo "Nova categoria gramatical tupi: a visibilidade e a invisibilidade nos demonstrativos" (1947), Lemos Barbosa descreve a relevância da noção de visibilidade para o sistema demonstrativo do Tupinambá, algo que teria, aparentemente, passado despercebido mesmo a autores como Anchieta e Figueira.

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